Isto é um blog

Ao longo das últimas semanas neste blog tenho vindo a apresentar vários livros. Livros estes que abordaram diversas temáticas, mas todas elas muito próximas umas das outras. Muito relacionadas com a comunicação, a sociedade, a evolução desta, política, entre outras. O livro desta semana trata um pouco destes temas e mais alguns.

O livro chama-se “Isto não é um diário”, foi escrito por Zygmunt Bauman, e é no fundo um conjunto de reflexões apresentadas pelo autor sobre vários temas da sociedade tendo por base vários recortes de jornais. O título acaba por ser curioso, uma vez que todo o texto é apresentado como se fosse um diário. As reflexões são apresentadas na primeira pessoa, todas elas têm datas e está organizado tal como se de um diário se tratasse. No entanto, apesar destas semelhanças o livro acaba mesmo por não ser um diário, isto porque o autor não se refere à sua vida pessoal, refere-se, como já indiquei, a vários temas que estão relacionados com a sociedade. O autor começa a escrever em Setembro de 2010 e acaba em Março de 2011.

Logo no inicio da obra, Bauman afirma que este é um livro sobre as suas reflexões, pois seria incapaz de as fazer, sem as escrever, porque a escrita sempre fez parte de si, e do seu modo de viver. Acaba por ser um desabafo que este faz consigo mesmo face à ausência da sua esposa, com quem foi casado durante 62 anos.

Ao longo do livro, o autor vai fazendo várias criticas sobre questões culturais, politicas, económicas, sociais e sobre o avanço tecnológico.

Exemplo disso são dois dos primeiros reflexos, um sobre a expulsão dos ciganos em Itália, e sobre a desigualdade social.

Tanto num como noutro a questão acaba por ser a mesma, as diferenças entre as pessoas num determinado país, sendo que no primeiro caso se trata de uma diferença cultural e racial, e no segundo uma diferença a nível económico. No primeiro refere que os homens têm tendência para afastar os outsiders, deixando clara uma critica ao racismo e à xenofobia, e no segundo caso aborda o facto de as pessoas com maiores posses monetárias terem maior acesso à medicina do que quem não é tão afortunado.

Mais à frente reflecte sobre o facto de os estudantes se estarem a agitar de novo. O facto de serem considerada a “geração zero” faz com que estes se revoltem, pois o mercado de trabalho não acompanha a procura da parte destes. Porque jovens de 20 anos ambicionam ter uma boa vida, capaz de responder às suas necessidades, e a única coisa que têm é uma crise financeira.

Bauman, faz ainda um apontamento à expansão das redes sociais, e como estas têm influenciado a vida das pessoas. Como se começa a tornar possível fugir à solidão. Segundo o autor “150 era provavelmente o maior número de criaturas capazes de se reunir, permanecer juntas e cooperar lucrativamente (…)” (p. 126) e que num artigo publicado no New York Times se refere que através do Facebook é possível “estabelecer “amizade” com 500, mil, ou até 5 mil pessoas em sua página do Facebook” (p.118). Ainda que estas sejam virtuais, permitem-nos criar ou manter relações com outras pessoas. Neste caso deixam de fazer parte de uma comunidade e passam a fazer parte de uma rede.

No final parece-me ainda importante destacar que num dos seus pensamentos, Bauman, acaba por reflectir sobre a obra de Maalouf, abordada há umas semanas, “O Mundo sem Regras”. Neste apontamento, a 26 de fevereiro de 2011, o autor fala de um discurso proferido por Pat Bertroche, candidato ao Congresso americano pelo Partido Republicano do estado de Iowa, em que este diz que os imigrantes ilegais deviam ter microprocessadores instalados no corpo, como os cães. Bauman critica este tipo de pensamento e a dificuldade que os imigrantes, ou até mesmo refugiados, têm em se integrar noutros países, face às mentalidades racistas existentes. O autor refere que é importante o país que acolhe estas pessoas saiba aceitar as suas crenças, remetendo então para a conclusão de Maalouf quando diz que “quanto mais os imigrantes sintam que as tradições de sua cultura original são respeitadas no país de adopção, e quanto menos sejam detestados, odiados, rejeitados, intimidados, discriminados e mantidos a distância em razão de sua identidade diferente, mais atraente lhes parecerá a cultura do novo país, e menos irão afirmar sua própria distinção.” (p.240)

Após esta pequena visão da obra, é perceptível a tal reflexão sobre os mais variados temas da sociedade, e da forma como esta tem evoluído ao longo dos anos. É possível também, como referi inicialmente, fazer uma associação entre os temas que fui abordando neste blog nas últimas semanas, com os assuntos que Bauman debate ao longo dos seis meses em que se passa a obra. Se eu neste blog tenho tentado reflectir sobre alguns temas da sociedade, Bauman nesta obra acaba por fazer o mesmo com alguma facilidade e elegância na forma como apresenta as questões e os problemas. E a prova que este livro não é um diário e esta mesmo, Bauman não conta a sua vida, faz sim uma reflexão sobre os problemas da sociedade, e talvez por este motivo Steven Poole tenha afirmado que “se Bauman tivesse postado os comentários deste livro na internet, teria sido o melhor blog do mundo.”

Vamos falar de crowdfunding (parte 2)

Há algumas semanas falámos sobre um conceito emergente na sociedade: o crowdfunding.

Nesse post, fiz uma breve introdução ao que era o crowdfunding, e de seguida apresentei quatro questões que iria investigar. Pois bem, já fiz essa investigação e agora pretendo fazer uma pequena reflexão sobre estas.

Vamos só rever quais eram as questões:

1 – Em quê que consiste uma boa campanha de crowdfunding?

2- De certo que uma planificação mais detalhada e melhor pensada terá melhores resultados, assim sendo quais os pontos a que se deve dar atenção?

3 – Sendo que são campanhas realizadas via internet, qual será a melhor forma de atrair pessoas para contribuir para a causa?

4 – Será que uma campanha de crowdfunding pode ser complementada com acções offline?

Passemos então à primeira.

Em quê que consiste uma boa campanha de crowdfunding?

Para se perceber o que é uma boa campanha de crowdfunding, é essencial perceber o que é o crowdfunding e como funciona.

O crowdfunding é um método de angariação de financiamento, que conta com o apoio da sociedade para alcançar o seu fim, uma meta financeira estabelecida inicialmente, sendo que quem contribui para o projecto, acaba sempre por ser recompensado simbólicamente. Normalmente está associado a projectos de carácter social, cultural, empresarial ou até mesmo desportivo, cujos impulsionadores ou empreendedores não possuem de meios financeiros para concretizar o objectivo. Por isso recorre-se a este tipo de financiamento, que consiste na criação de uma campanha na internet. Para termos uma breve ideia, em Portugal normalmente este tipo de campanhas têm a duração de 20 a 60 dias, no qual a meta financeira estabelecida deve ser atingida. Uma vez que está regulamentado, actualmente tem de se recorrer a plataformas que ajudem neste tipo de projectos, e o processo desenvolve-se da seguinte forma:

Primeiro o participante deve preparar o material que irá utilizar para a realização da sua campanha. Desde a criação do perfil do projecto, passando pela preparação de como vai fazer o vídeo/texto de apresentação do projecto, até às recompensas que irá oferecer a quem contribuir para o projecto.

De seguida o projecto é analisado pela plataforma que informará o participante se é fiável ou não. Caso não seja, o processo volta para trás e poderá ser reconstruído.

Quando o projecto é aceite, o participante pode complementar o seu projecto com mais algumas informações que possam ser importantes, muitas vezes este mesmo tipo de informações são recomendadas pela própria plataforma de crowdfunding. Passando então à realização final do projecto a apresentar.

Feito o pedido de publicação, resta esperar que seja definida uma data para a publicação do projecto.

Quando aceite, o participante deve começar a espalhar a campanha ao máximo.

O crowdfunding é quase como um pedido de empréstimo de dinheiro que se adaptou à evolução das tecnologias, através das redes sociais, torna-se fácil o desenvolvimento deste tipo de iniciativas. Ao mesmo tempo que é visto como uma forma mais fácil de obter financiamento, enquanto que se pedirmos um empréstimo ao banco, temos de tratar de inúmeras burocracias, e estar algum tempo à espera da aprovação, que pode nem chegar, através das campanhas de crowdfunding temos um rápido acesso aos fundos angariados.

No entanto existem condicionantes a este tipo de projectos. Ao submeterem a sua candidatura, os participantes estão sujeitos a dois tipos de modelos de angariação de fundos. Estes modelos de angariação, são impostos pelas próprias plataformas de crowdfunding, e são dois: all-or-nothing e all and more.

O primeiro diz que caso o objectivo da campanha não seja alcançado, o dinheiro será devolvido a quem contribuiu. O segundo deixa ao critério do candidato se devolve o dinheiro ou não.

Actualmente em Portugal só se pratica o modelo all-or-nothing.

Percebemos então que para uma campanha ser bem sucedida tem de ser planeada, conforme descrita anteriormente.

No entanto, dentro destes aspectos a ter em conta existem “pequenos” factores que podem ser determinantes no sucesso de uma campanha de crowdfunding.

E que factores são esses?

Estudos revelam que é possível identificar 3 pontos, que são essenciais no sucesso de uma campanha de crowdfunding: o modo como é apresentado – “guilt appeals”; o tipo de produto e as mensagens e apresentação das características do projecto.

Em relação ao primeiro é feito um apelo à responsabilidade e à influencia que uma contribuição pode ter. Este apelo pode ser feito através de uma demonstração a quem contribui, do quão importante pode ser para si esta mesma contribuição, como por exemplo dizer “ao contribuir para esta campanha está a fazer uma das coisas mais bonitas que alguma vez fez”. Pode também ser feito um apelo ao facto de que os beneficiários desta campanha são outros, que não quem realiza o projecto. E por último, pode ser feito um apelo à nostalgia

O segundo modo, o tipo de produto e as mensagens, consiste em tentar persuadir as pessoas a contribuir, através da natureza do produto.

Em relação ao terceiro e último ponto, é importante reter que se trata da forma como são construídos os suportes de apresentação do projecto. Devem ser o mais apelativos possível.

Feita a descrição da campanha e dos pontos importantes a ter em conta passemos então à terceira questão.

Sendo que são campanhas realizadas via internet, qual será a melhor forma de atrair pessoas para contribuir para a causa?

Esta questão pode parecer semelhante à anterior, no entanto não é. Enquanto a anterior visava os pontos chave da campanha, nesta o foco será mais a importância dos social media para a campanha.

Para tal o participante deve usar ao máximo os recursos que existem actualmente. Para além de ter a sua campanha na página da plataforma onde esta se encontra inscrita, deve ainda recorrer aos seus social media, para partilhar o seu vídeo ou discurso com os seus amigos. Apelar a que estes partilhem com os seus amigos, e assim sucessivamente. Os social media são cada vez mais um meio rápido de transmissão de informação e deve ser tirado proveito desse factor. Especialistas referem ainda que a informação sobre o decorrer do projecto deve ser actualizada regularmente, devendo o participante fazer posts de 8 em 8 horas para fazer essa mesma actualização.

Para contribuir ainda mais para este sucesso, é importante que exista um contacto entre o participante e quem contribui, isto porque faz com que quem contribui se sinta importante por ter contribuído, mostra preocupação da parte do participante, e pode fazer com que quem contribuiu partilhe também com alguns conhecidos.

Por fim, será que uma campanha de crowdfunding pode ser complementada com acções offline?

Provavelmente a resposta é não. O facto de ser um conceito recente, e de ser uma adaptação à evolução da sociedade, e da evolução da internet e dos social media, o crowdfunding está muito associado ao online. Ao ponto de ao longo dos estudos que têm sido feitos, poucos ou praticamente nenhuns, referirem acções a realizar offline. As próprias plataformas não o referem.

Sendo importante referir que esta é uma forma de obter apoios que muitas vezes não foram obtidos através dos meios tradicionais, como é o caso dos empréstimos, ou patrocínios (no caso de muitos atletas).

Para se ter uma noção do quão importante é o online neste tipo de campanhas, um guru da tecnologia, Guy Kawasaki, recomenda que 9 a 12 meses antes de a campanha ter inicio, seja feito um “pré-lançamento” da campanha, fazendo posts sobre o tema, para manter as pessoas interessadas no projecto que irá surgir

Percebemos assim que o crowdfunding se tem assumido como um meio importante de angariação de fundos para start-ups, projectos que demoram a emergir por falta de fundos, ou até mesmo para atletas que por praticarem modalidades menos apetecíveis tenham de recorrer a outras formas de financiamento face à ausência de patrocinadores que invistam dinheiro em si.

Este é um movimento que é visivelmente associado à evolução, à era da web, sendo a internet um dos pilares do conceito de crowdfunding, e que o uso correcto desta, determinará em grande parte o sucesso da campanha.

O novo espaço público

Na sua obra, “O Novo Espaço Público”, Daniel Innerarity reflecte sobre o conceito de espaço público, e as alterações que este tem vindo a sofrer ao longo dos anos.

Este conceito emergiu no debate político do século XVIII e teve um papel importante na definição das democracias modernas. Ao fim de alguns séculos, é do entender do autor que este precisa de uma nova reflexão. Isto porque, este é um conceito que exige uma constante adaptação aos tempos, assim como um continuo trabalho de argumentação.

O conceito de espaço público já não é um espaço de formação de opiniões, passou a ser um espaço onde estas se tornam públicas.

No primeiro capítulo o autor começa por fazer uma distinção entre o público e o privado. O público diz respeito às relações impessoais e instrumentais, e o privado à vida pessoal e intimidade.

As inovações técnicas na comunicação e na informação e a necessidade de criar um conceito normativo e critico que esteja em condições de enfrentar as rotinas da politica, provocaram uma modificação da esfera pública.

Para o autor, o espaço público tem uma estrutura sólida, se existirem questões que podem ser discutidas em público e por outras que tenham de ser feitas em privado. Isto porque a existência de ambos os espaços, acaba por conferir à sociedade um certo equilíbrio e intimidade.

O autor considera que os espaços sociais são desprotegidos face a questões emocionais, em que facilmente se dramatiza e especula. Este espaço emocional, é o espaço que anteriormente ao debate ideológico.

Por sua vez a religião é vista como um dos grandes problemas do espaço público. Para o autor nenhuma religião deve assumir uma posição em qualquer que seja a sociedade, isto porque é um factor constante de criação de conflitos entre diferentes sociedades.

No segundo capítulo da obra, Innerarity reflecte sobre a política, e a crise em que esta se encontra. Para o autor, esta crise faz com que a esfera pública não seja mais um espaço de reflexão, e sem este torna-se complicado o avanço da sociedade democrática.

Innerarity refere que face a um espaço público empobrecido, a possibilidade de existir uma integração social orientada para os conceitos de espaço público e mundo comum começa a ser esquecida.

Mais à frente no texto, refere que o diálogo é um conceito importante para a criação e fundamentação da vontade politica das pessoas, e que a discussão pública e os debates são oportunidades de esclarecimentos públicos de determinados assuntos. Identifica ainda a necessidade de os políticos se relacionarem mais com os problemas dos cidadãos, que os representem melhor, pois sendo eles que representam os ideais de muitos cidadãos, é importante que o façam de forma assertiva.

Na sua obra, Innerarity fala ainda dos meios de comunicação e de como estes fazem parte da vida em sociedade. De como estes são importantes na função de integração da sociedade mundial. Ao mesmo tempo, os meios de comunicação social ajudam a compreender o espaço público, e na formação da opinião pública, sendo que é através destes que facilmente as pessoas criam uma opinião e imagem sobre o mundo.

Innerarity indica a democracia directa como uma realidade, não prática, mas teórica, visto não ser impedida de tratar exclusivamente a complexidade dos assuntos públicos, mas também pelo pluralismo social. Esta democracia com imediatez só teria valor no caso de as sociedades serem uma justaposição de decisores autónomos que não deliberassem nem actuassem em conjunto.

No entanto, existem também algumas ambiguidades. Exemplos disso são o risco de solidão, a desprotecção e a incerteza. Ao longo das histórias foram vários os contributos para a decadência das cidades. A cidade introduz uma individualização e por sua vez uma desenraização das tradições dos indivíduos. É também o local por excelência de encontro das patologias mentais. Sem a existência da integração social existe sempre o risco de se cair em preconceitos e segregações.

A terceira parte do livro propõe algumas estratégias para se articular o espaço público de maneira a que ele organize o comum num mundo que tende a ser politicamente desfocado e ingovernável. É necessário pensar uma noção de responsabilidade que compreenda a complexidade e torne possível identificar uma espécie de bem comum operativo nos actuais processos políticos.

Termina com uma reflexão sobre as possibilidades de se pensar numa forma política concordante com os novos cenários globais. E diz ainda que devemos estar preparados para a evolução da sociedade e saber resolver os problemas que nos surgem a nível politico. Como se foi percebendo no texto, a evolução da sociedade originou uma mudança nos conceitos de espaço público e privado e como tal é necessária uma readaptação à nova definição destes.

Como temos visto ao longo dos últimos posts, é importante que exista esta mudança quer a nível social que a nível tecnológico, mas é igualmente importante que exista um acompanhamento por parte dos seres humanos para se adaptarem e aprenderem estes novos conhecimentos, quer seja a nível tecnológico, cultural, ao acabar com a discriminação, ao aceitar todas as culturas, mas também a nível da sociedade, e neste sentido é importante que exista por parte dos jovens um maior interesse pela política, porque se existem alterações no espaço público é importante que estes se interessem por se adaptar ao mesmo.

Welcome to the jungle

Muito se tem falado nos últimos meses sobre as eleições presidenciais nos Estados Unidos, tendo sido esta semana intensificadas não só por terem finalmente acontecido, mas pela eleição de Donald Trump que gerou muito descontentamento, incerteza, e acima de tudo medo, em relação ao que vai acontecer durante o seu mandato.

A leitura que fiz esta semana faz-nos pensar sobre este tema. “Um mundo sem regras” de Amin Maalouf. Embora este livro tenha sido escrito em 2010, apresenta muitas semelhanças com o período que estamos a viver, e com um futuro próximo.

Com uma obra dividida em 3 capítulos, Maalouf apresenta-nos a realidade do que se passa no planeta Terra. Um conjunto de desregramentos que nos põem a pensar sobre um conjunto de coisas que já aconteceram, que deviam ter servido para tirarmos algumas conclusões, mas que, no entanto, de pouco ou nada serviram. Chega mesmo a dizer que “a humanidade está confrontada com novos perigos sem equivalente na História e que exigem soluções globais inéditas”

Maalouf, ao longo da sua obra, fala então de “Vitórias Enganadoras”, de “Legitimidades Perdidas” e de “Certezas Imaginárias”.

Em relação a estas “Vitórias Enganadoras” o autor fala sobre a queda do muro de Berlim e da Guerra Fria, e como a queda do primeiro e o fim da segunda poderiam ter sido marcos importantes, na expansão da democracia pelo mundo inteiro, mas tal não se veio de todo a verificar. Dá também o exemplo do mundo árabo-muçulmano, que se manifesta cada vez mais contra todo o mundo. Em África, grande parte dos países são vítimas de guerras, epidemias tráficos, gerando uma grande pobreza. De uma forma geral cada vez mais são os Estados Unidos que se assumem como a grande potência mundial, e parece que não há quem os consiga acompanhar.

Pelas notícias dos últimos meses, quase que podemos ver que melhorias não existiram, foi sempre a caminhar para o descalabro. Um mundo islâmico a desferir constantes ataques a alguns países Europeus, exemplo disso foram os vários atentados terroristas em França. Em África, a pobreza continua a registar-se. Nos EUA, a expansão parece não abrandar, e a olhar para os discursos durante a campanha do Presidente recentemente eleito, Donald Trump, parece que não vão abrandar, e não vão olhar a meios para atingir fins. Quase que poderá ser considerado o Presidente “sem medo”, uma vez que deixou bem claro esse mesmo desejo, dos EUA serem a grande potência a nível mundial, ao mesmo tempo que não teve receio de dizer que não tinha qualquer problema em “impor o silêncio aos seus opositores”, algo que Maalouf diz que não deve acontecer. Trump deixou ainda transparecer o seu pensamento racista e xenófobo, tendo ainda afirmado que iria mandar embora do seu país todos aqueles que nele fossem ilegais, e que iria criar um muro para acabar com a entrada de mexicanos, nos EUA, ignorando assim as minorias, que podiam ser uma mais valia ao trazer novos valores e experiências.

No segundo capítulo, o autor apresenta-nos um acontecimento ainda mais actual que os anteriores, quando nos fala do medo que esteve associado à eleição de George W. Bush, para presidente dos EUA, há uns anos. Esta eleição acabou por trazer problemas não só para o seu país como para todo o mundo.

Para Maalouf, o poder associado ao cargo de presidente dos EUA é de tal forma grande, que todo o mundo deveria ter direito ao voto, no entanto tal não pode acontecer. O facto de isto não poder acontecer é grave, porque como vimos através da eleição de Trump, muitos dos que nele votaram, não eram propriamente dotados de sabedoria. E mais uma vez a influência do estado da Flórida, para a eleição do presidente. Uma votação que se revelou surpreendente, e que teve um grande impacto, tanto na eleição de Bush e de Trump.

A palavra chave neste ponto seria então legitimidade, que não deve ser nem económica nem militar, no entanto é algo que não acontece, uma vez que esta actualmente é vista como algo patriótico, que se aceita a autoridade porque ela luta contra os nossos inimigos.

Num último capítulo, Maalouf diz-nos que é importante aceitarmos a cultura dos imigrantes. Temos de saber respeitá-los a eles e à sua cultura, porque podem trazer novo conhecimento para nós próprios. Saber respeitar os outros é importante, pois quem sabe se um dia os imigrantes não seremos nós. É importante permitir que os imigrantes mantenham a sua cultura enquanto adoptam partes da cultura do país onde estão. Muitos destes imigrantes por vezes são forçados a sair dos seus países por questões financeiras, porque se pudessem nunca sairiam de lá.

Por fim é nos apresentado o problema das alterações climáticas, e da falta de cuidado que se teve durante muitos anos, no entanto, nos últimos anos começou-se a olhar para este problema de forma diferente, e foram surgindo várias politicas para o tentar aclamar e diminuir. Para o autor este é o maior problema de todos, e a meu ver com razão, pois com uma guerra os países destroem-se um ao outro, no entanto é possível reconstruirem-se ainda que com grande dificuldade, enquanto que se não tivermos cuidado com o nosso clima, vamos acabar por destruir o planeta, e aí, reconstruí-lo será impossível. No entanto, e para se perceber mais uma vez o quão recentes são estes acontecimentos, Donald Trump ainda agora foi eleito e diz que vai rejeitar o acordo de Paris, que tinha como objectivo reduzir o aquecimento global.

No Epílogo o autor deixa o aviso para tomarmos medidas em relação a estes aspectos caso contrário estamos a destruir-nos a nós próprios e não teremos muito mais tempo de vida, e diz-nos ainda que:

“O que teve o seu tempo e que deve hoje ser encerrado é a história tribal da humanidade, a história das lutas entre nações, entre Estados, entre comunidades étnicas ou religiosas e entre “civilizações”. O que termina diante dos nossos olhos é a pré-história dos homens. Sim, uma pré-história demasiado longa, feita de todas as nossas crispações identitárias, de todos os nossos etnocentrismos que não deixam ver, dos nossos considerados “sagrados”, quer sejam patrióticos, comunitários, culturais, ideológicos ou outros.(…) os únicos verdadeiros combates que merecem ser travados pela nossa espécie no decurso dos próximos séculos serão científicos e éticos(…)”, p.271

No entanto, pelo andar da carruagem, e pelos discursos proferidos por Donald Trump, acho que devemos temer o futuro, pois o que fez a história, e muitos dos factores que nos assombraram no passado, como guerras e discriminação, parecem estar de volta, com duas agravantes:  neste momento temos também de nos preocupar com o ambiente, que já vimos que está em risco e nos pode matar a todos, e com o avanço tecnológico, que tem possibilitado a criação de armas melhores, que dá acesso a todo um conhecimento através de um click,  e estando todos estes factores ao dispor de um país, que será governado por alguém que deixa transparecer uma grande instabilidade emocional, é deveras preocupante.

Nobreza de espírito

Há uns dias falava sobre uma vida que não era reflectida que não merecia ser vivida, e como grandes personalidades históricas talvez tenham ficado conhecidas um pouco pela falta dessa reflexão na sua vida, mas será que esta falta de reflexão terá sido provocada também pela falta de nobreza de espírito?

Ao longo da sua obra Rob Rieman apresenta-nos a ideia de “nobreza de espírito” do ponto de vista de outros autores, nomeadamente filósofos. Para Rieman, esta “nobreza de espírito” é uma quinta-essência de um mundo civilizado.

Rieman começa por nos apresentar a ideia de liberdade de Espinosa, em que a verdade e a liberdade estão interligadas, e que a vida deve ser dedicada ao pensamento e ao amor pela sabedoria.

O ser humano não se devia deixar levar pela riqueza, pelo desejo, o poder ou medo, mas sim pela verdade e seguir aquilo que achava que era correto.

De seguida Rieman fala-nos de Thomas Mann e da ideologia deste, em que o pensamento politico não resolve as questões da vida, apenas a educação liberal, a ética, a religião e a arte nos poderiam orientar nesta nobreza de espírito.

Diz-nos ainda que não pode existir a ideia de sociedade perfeita, ou de individuo perfeito, isto porque considera que estes mesmos indivíduos que julgam deter a verdade, acabarão por destruí-la.

O facto de o mundo estar a evoluir em todos os aspectos, faz com que tenham de existir novas formas para a revelação da verdade, sendo que a cultura pode ser a solução. Ao ignorarmos, ou destruirmos uma cultura, estamos a gerar um efeito semelhante na verdade.

Mann considera que a linguagem é a mística do ser humano, e que continuou a escrever para a recuperar dos mentirosos que a tinham roubado. A linguagem é de tal forma importante que nos permite conhecer o mundo, assim as nossas experiências acabam por ser influenciadas pela linguagem.

Ainda na ideia de não haver ninguém perfeito, Mann defende que não deve ser rejeitada a crueldade dos acontecimentos, por muito negativos que estes sejam. E esta acabaria por ser a chave para a criação de um novo humanismo. Mann considera assim que face à evolução é necessário que o ser humano tenha uma nova receptividade à nobreza de espírito.

Olhando para estas ideias apontadas ao longo da obra podemos levantar algumas questões. Será que actualmente existe alguém que tenha conhecimento, ou que ponha em prática o verdadeiro significado deste termo?

Num mundo em que a corrupção política é constante, em que temos candidatos à presidência, de grandes potências mundiais, com ideias absolutamente desumanas, em que questões como o racismo e a xenofobia geram muitas desigualdades, e até mesmo mortes, será que existe nobreza de espírito nestes cidadãos?

Um exemplo apresentado na obra é o ataque terrorista a 11 de setembro de 2001. Será que este foi um ataque dirigido contra a civilização ocidental ou foi consequência da falta de civilização no ocidente? Deixando claro que existe alguma descriminação de ambas as partes, na forma como olham para os restantes povos do mundo. Ao mesmo tempo que apresenta uma clara falta de tolerância em relação aos outros.

Outro exemplo recente é o estado islâmico. Sob uma visão totalitarismo, não toleram qualquer tipo de liberdade, as pessoas apenas têm de obedecer aos lideres religiosos. Ao mesmo tempo que pensam desta forma, poderiam tolerar países em que este tipo de filosofia não seja aplicada, mas não, são contra as sociedades que dão essa liberdade, e constantemente atacam as mesmas. As mulheres não têm qualquer tipo de direito e são quase que escravizadas.

Assim se não respeitamos as outras culturas, se resolvemos os problemas e as diferenças através de guerras, como é que poderíamos alguma vez identificar a tal nobreza de espírito na sociedade actual?

É totalmente impossível. A constante evolução da sociedade, em parte provocada pela evolução das tecnologias, tem criado uma nova sociedade, que em vez de ser mais social, parece cada vez menos. E com esta evolução seria de esperar um avanço no pensamento das pessoas em sociedade, mas parece que houve um retrocesso. É impossível a existência desta “quinta-essência” de um mundo civilizado, porque o mundo parece não ser sequer civilizado. Não existe a liberdade acima referida, os governantes deixam-se levar pelo dinheiro e pelo poder, e pouco se preocupa com a verdade. As outras culturas parecem ser cada vez mais desprezadas, por isso é que podemos afirmar que nos dias que correm o termo nobreza de espírito é cada vez menos utilizado.

Quanto custa a mudança?

Hoje em dia vivemos num mundo cheio de competitividade. Todos querem ser os melhores, e o resultado final, ser melhor que os outros, é o principal foco.

A nível empresarial este sentimento não é excepção, e as empresas apenas se preocupam em obter lucro. Apesar de ter um lado positivo que é o constante desenvolvimento dos mercados, gerado pela competição, as empresas procuram obter lucro custe o que custar, e não se preocupam com o meio envolvente.

Philippe de Woot, na sua obra Rethinking the Enterprise, apresenta-nos a evolução dos mercados ao longo do tempo, e faz um alerta para a forma como estes têm evoluído, em que a preocupação com o lucro é tanta, que começam a surgir problemas a nível social. Cada vez mais a diferença entre ricos e pobres é maior.

Para além do lucro, atualmente as empresas obtêm também um grande poder a nível da economia, devido a esta mesma importância, acabam por ter responsabilidades acrescidas.

Por esta mesma responsabilidade, as empresas têm a capacidade para deixar de ser um problema no desenvolvimento da sociedade, e podem passar a ser um criador de soluções. Isto porque a criatividade e inovação que as caracterizam, a sua facilidade de adaptação à mudança devido ao seu domínio a nível cientifico-tecnológico, podem ser a tal solução para as desigualdades sociais existentes, mas também para uma melhor gestão dos recursos existentes. Isto porque não há uma preocupação com a exploração dos recursos, porque o foco é essencialmente o lucro, e se tal for atingido, não há qualquer tipo de preocupação com a sobre-exploração de matérias-primas. Este constante abuso de exploração, a juntar ao aumento da poluição provocado pelas empresas, está a matar o planeta.

As empresas devem então começar a assumir outra mentalidade, que vá de acordo com esta responsabilidade que têm, e que origine uma mudança na sua forma de analisar os mercados, e que o objectivo deixe de ser a obtenção do lucro, mas que comece a haver uma maior responsabilidade social, e uma maior preocupação com o meio ambiente.

É neste sentido que têm de surgir grandes empresas, dentro do mercado, que se preocupem, que respeitem as pessoas e que acima de tudo tenham esta preocupação com o ambiente, com a gestão dos recursos, para acabar com esta exploração excessiva, para que se comece a dar esta mudança de mentalidade. Estas devem ser as pioneiras da mudança.

Neste contexto, os profissionais de RP devem assumir um papel mais interventivo nas empresas, eles podem assumir-se como “líderes” dentro destas empresas que de Woot diz que devem existir. Eles podem ser a base desta mudança de mentalidade, de cultura das próprias empresas. Numa passagem da obra, o autor afirma que as empresas devem ser como stakeholders dos agentes sociais, para que estas alterações aconteçam.

As empresas têm de se assumir como stakeholders das forças sociais para que as mudanças aconteçam. Assim os profissionais de RP podem, e devem ser os mediadores desta relação, alertar para os acontecimentos, e tentar despertar a atenção dos responsáveis para os erros que estão a ser cometidos, e tentar remediá-los.

Neste caso o profissional de RP deve pensar na comunicação com o exterior, no sentido em que deve perceber as necessidades dos seus públicos, e dos próprios mercados, mas deve pensar também em como comunicar com o interior, para que se comece a desenvolver dentro desta a tal cultura política no sentido do termo. Deverá chamar a atenção para que a empresa comece a ter uma orientação futura mais preocupada com a sociedade e o Bem comum, e menos preocupada com a obtenção de lucro.

O velho continente

Desde cedo que a Europa se assumiu como o principal continente do mundo. Foi aqui que se começaram a organizar os primeiros territórios ocupados, a surgir as primeiras noções de sociedade, as primeiras viagens à descoberta de novos povos. Foi também aqui que começaram alguns dos mais conhecidos conflitos armados de que há registo na história da humanidade. É no fundo o continente mais antigo de todos, e é por isso que é também conhecido por “velho continente”.

Para além de toda esta antiguidade que marca a Europa, temos também muitas personalidades que marcam a história do “velho continente” por diversos motivos. Quer pelo conhecimento que muitos transmitiram, através de manuscritos e livros, ou pelos feitos que atingiram e que para sempre os imortalizaram na história.

Mas a Europa não é apenas um continente de bons acontecimentos, por toda a sua história foram sendo registados momentos muito negativos, como guerras entre países, provocadas por grandes crises quer económicas quer políticas, e que mostram a diferença entre as culturas dos diferentes países, provando que o factor cultura muitas vezes é deixado de lado,

Exemplo disso são as duas grandes Guerras que existiram mas principalmente da Segunda Guerra Mundial, que imortalizou a figura de Adolf Hitler. Personalidade esta que aterrorizou a Europa durante a sua passagem em vida. Muitos foram os que sofreram às suas mãos, e às mãos do seu exército.

Muita foi a destruição que este deixou por onde passava. De racismo já todos ouvimos falar, e todos temos noção do que é, e o legado de destruição e de terror deixado por esta pessoa, deixa claro que sempre existiram diferenças entre os vários países.

Actualmente esta vaga de refugiados que chega à Europa e que tanto tem sofrido, quer fisicamente como psicologicamente, através de vários comentários racistas, deixam presentes que, para além de grandes sábios, os cidadão europeus têm também pessoas que não reflectem muito sobre aquilo que dizem.

É por causa de acontecimentos como estes, que o sentimento de George Steiner no texto “A ideia de Europa” está tão presente ao longo da história, “«a vida não reflectida» não é efectivamente digna de ser vivida”, e não merece mesmo, pois quem não pensa no que faz, e tem este tipo de comportamentos e atitudes, apenas demonstra ser ignorante e como tal não é digno de viver a sua vida.

Deixando ainda claro que por muito brilhantismo e ideias sábias e bons pensamentos que tenham existido na Europa, sempre existiram pessoas que não sabiam seguir essa mesma linha de pensamento e que demonstraram que não eram dignos da vida que tinham.

Um simples toque do polegar

Se perguntar aos meus avós como foi a infância deles, provavelmente dir-me-iam que passavam os dias no campo, a tratar dos animais, da horta, e que poucos eram aqueles que tinham a sorte de ir à escola aprender a ler e a escrever. Com o passar dos anos, as pessoas foram mudando, a sociedade foi mudando e hoje em dia é impensável uma criança não saber ler nem escrever.

Na sua obra, “Thumbelina”, Michel Serres dá conta desta mesma mudança, a começar numa redução da poluição, devido ao aumento dos perigos desta. Mudanças no estilo de vida também provocadas pelo aumento da esperança média de vida, o aumento dos cuidados médicos, e o facto de nunca terem presenciado uma guerra, o que faz desta nova geração, uma geração de afortunados Mudanças ao ponto em que os nossos antepassados se cingiam à sua vida monótona, e atualmente os jovens estão em constante contacto com crianças da outra ponta do planeta.

Esta nova geração de crianças encontra-se moldada pelos media, que reduzem a sua capacidade de atenção e aumentam o seu tempo de resposta e de reacção às situações. Os media tornaram-se de tal forma influentes nas crianças que já nem os próprios professores conseguem influenciar o seu comportamento. No entanto, e ainda que tenham acesso a mais informação, e de forma mais facilitada, estas formas de aprendizagem não estimulam tanto o desenvolvimento cognitivo, como a leitura de um livro o faria. Tal faz com que estes não tenham tanta capacidade de sintetizar a informação adquirida.

Este novo ser, é muito mais individualista, isto porque os factores que no passado interligavam as pessoas de alguma forma, como por exemplo a religião e a cultura, atualmente estando a informação à distância de um clique na web, fez com que tudo se desintegrasse.

O facto do conhecimento se encontrar mais difundido, e de maior facilidade de acesso, irá originar alterações na educação, tal só não aconteceu até agora, porque quem está no mercado ainda faz parte da geração do passado.

As novas gerações não pretendem aprender aquilo que vem nos livros, querem é falar sobre o que sabem e produzir conhecimento. Deste modo não querem que seja apenas o professor a falar, estes querem discutir novas ideias, porque aquilo que o professor transmite, eles encontram facilmente na web. Estes não se limitam a ficar sentados a ouvir aquilo que lhes é dito, como acontecia no tempo dos seus avós, isto porque têm o conhecimento nos seus bolsos. E tentar obriga-los a agir da mesma forma que os seus antepassados é quase impossível.

A sociedade encontra-se muito centrada no trabalho o e tudo funciona para o trabalho, desta forma os jovens querem encontrar no emprego o “preenchimento” do vazio que tinham e não acontece.

Este conjunto de aspectos apresentados por Serres deixam bem presentes a mudança de pensamento da sociedade, e da constante actualização e inovação desta. Neste sentido é necessária também uma mudança na forma como se comunica com estes. Muito mais mediatizados, e muito mais informados, por causa desta dependência da internet e do que podem encontrar lá.

Os profissionais de Relações Públicas têm de se adaptar, e aprender a comunicar com esta geração. É necessário saber aproveitar as páginas da web, e principalmente os social media, nos quais os jovens passam grande parte do seu tempo, onde partilham muito da sua vida, onde expõem muitos dos seus interesses.

Têm de se saber articular com a internet para conseguir captar a atenção dos jovens.

Ao mesmo tempo que é necessária esta mudança, há que saber ver o lado positivo da coisa, na perspectiva das RP: o facto de tudo ser digitalizado, e circular rapidamente na internet, pode ser uma boa solução na resolução de problemas de uma organização. Uma vez que os jovens passam tanto tempo na internet, é mais fácil transmitir as mensagens das organizações, divulgar os seus produtos.

A mudança da mentalidade da sociedade é cada vez mais notória, e é necessária uma adaptação. No entanto não quer dizer que esta tenha de ser obrigatoriamente má, é essencial saber retirar o lado positivo, e o maior proveito desta mesma mudança, e mediatização.

Comunicar é…

Comunicar é muito mais que uma simples troca de palavras entre duas pessoas. Tudo aquilo que fazemos é comunicação, isto porque todo o nosso comportamento tem valor de mensagem. Deste modo não se pode não comunicar.

Desde processos comunicativos a nível intrapessoal, até à comunicação em sociedade, acabamos por comunicar mesmo que não o queiramos fazer. Assim é possível dizer que a comunicação nem sempre é um processo intencional, consciente.

Comunicar é fácil, mas comunicar sobre comunicação não, e é sobre esta dificuldade que o autor Gregory Bateson fala na sua obra Metadiálogos.

Através de várias conversas entre pai e filha, são apresentadas algumas noções sobre o processo de comunicação. As simples, e à partida inocentes, perguntas da filha, acabam por levantar questões sobre o que é a comunicação, e as diferentes formas, significados, e problemas que esta possa ter.

Começando por nos introduzir a atribuição de diferentes significados que um conceito pode ter, vemos que estes mesmos significados variam de pessoa para pessoa. Bateson, apresenta-nos o conceito de “arrumação”, em que o arrumado para ele pode ser desarrumado para outra pessoa, sendo que existem muitas mais formas de desarrumação, para uma pessoa, que arrumação.

Esta imprevisibilidade remete-nos para o conceito de entropia, uma medida de incerteza, em que uma situação é tanto mais informativa, quanto imprevisível. Outro exemplo é a comparação às apostas nas corridas de cavalos, em que o pai explica à filha que as pessoas estão sempre à espera de algo mais previsível, que é a vitória do cavalo apontado como favorito ou, fazendo a analogia ao termo usado anteriormente, “arrumado”, em detrimento dos restantes. O que ele tenta fazer ver é que existem muitos mais caminhos “desarrumados” do que “arrumados” e que não se pode dar como adquirida essa arrumação.

Numa outra conversa, explica-nos que a linguagem não é apenas verbal. Pegando na questão da filha, sobre o “porquê que os franceses mexem muito os braços”, este explica que todos os gestos, expressões, tom de voz, que constituem a linguagem não-verbal, fazem parte da comunicação, ao completarem a linguagem verbal, comprovando aquilo que referi ao início, em que todo o nosso comportamento é comunicação. Completa ainda, referindo que até o silêncio é comunicação, quando dá o exemplo da pesca, em que chega a casa em silêncio porque não pescou nada.

Apesar de ser mais expressiva, a linguagem não-verbal é menos complexa e precisa que a linguagem verbal, sendo que na linguagem não-verbal não há nada que se compare à sintaxe da linguagem verbal.

Esta partilha de informação, de conhecimento, que é a comunicação pode ocorrer, como já referi, de diferentes formas, desde pensamentos para connosco próprios, a debates com um grupo de pessoas. Deste modo e um processo que deve ser composto por regras. Estas regras funcionam como uma espécie de cola, e que equilibram o processo, o que faz com que este seja lógico. Bateson compara este processo a uma criança que brinca com blocos, e tenta construir um edifício, em que se os blocos forem colocados de forma errada, toda a construção cairá. O mesmo acontece com a comunicação, que não será eficaz se não existirem regras que façam com que o diálogo seja lógico.

Esta troca de informações, que é o processo de comunicação, é também uma transmissão de conhecimento. Este conhecimento é como se fosse uma “malha”, ou “tricô”, em que os pensamentos estão interligados, ou entrelaçados e só juntos é que constituem conhecimento lógico.

Bateson explica-nos ainda que o conhecimento pode ser organizado através da aritmética, com multiplicações e divisões de ideias através das quais se obtêm novos conhecimentos.

Para além deste conhecimento lógico, a comunicação tem de ter uma estrutura, ao que Bateson chama de contornos, como se fosse um contorno de um desenho. Estes contornos das conversas não são visíveis, sendo que se fossem tornariam a conversa como algo previsível. É também para evitar que existam confusões e previsibilidade entre discursos que se tenta regrar a conversa, desenhando os tais contornos.

Por fim apresenta-nos a ideia que a comunicação funciona como um instinto, enquanto agirmos de forma instintiva, sem pensar no que estamos a fazer, então é como uma acção de forma natural, se por acaso soubermos o que estamos a fazer, então deixa de ser algo instintivo e passa a ser algo racional.

Assim concluímos que o conceito de comunicação tem um uso diversificado e complexo, na qual acaba por ser influenciado por diversos factores.

Vamos falar de crowdfunding

Actualmente existem cada vez mais jovens com ideias para projectos inovadores, ou com ideias para novas startups, que muitas vezes acabam por não se concretizar por falta de financiamento. E quem diz ideias inovadoras, diz também atletas que precisam de fundos para conseguirem treinar e ir a provas do mais alto nível. E é sobre as alternativas a esta falta de financiamento que proponho fazer um estudo. Neste sentido pensar em formas de arranjar financiamento para estes mesmos projectos.

Uma boa solução passa pela realização de campanhas de crowdfunding. O conceito, que é relativamente recente, é nada mais nada menos que uma campanha de angariação de fundos para estes mesmos projectos, através da internet. Quem as realiza deve estabelecer um montante mínimo a atingir, assim como uma data limite. Caso os requisitos sejam cumpridos, os fundos são entregues à pessoa, caso não sejam cumpridos, todo o dinheiro adquirido será devolvido a quem contribuiu. Por norma, quem pede o financiamento para este tipo de projectos, acaba por dar algo em troca, como forma de agradecimento a quem contribui.

Apesar de ser um conceito recente, existem já inúmeras plataformas de ajuda a quem pretende realizar uma campanha de crowdfunding.

Sendo algo em constante crescimento, é pertinente colocarmos algumas questões sobre como este tipo de campanhas devem funcionar. Como por exemplo:

Em quê que consiste uma boa campanha de crowdfunding?

De certo que uma planificação mais detalhada e melhor pensada terá melhores resultados, assim sendo quais os pontos a que se deve dar atenção?

Sendo que são campanhas realizadas via internet, qual será a melhor forma de atrair pessoas para contribuir para a causa?

Será que uma campanha de crowdfunding pode ser complementada com acções offline?

O crowdfunding é um assunto que considero interessante para ser estudado, uma vez que é uma solução cada vez mais procurada por jovens empreendedores com ideias inovadoras e que em alguns casos tem gerado bons resultados. Como tal, irei procurar responder a estas questões, ou até mesmo a outras que possam surgir durante a investigação.